Independência e eventos disjuntos
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A ideia
Na Aula 2 (e de novo na Aula 4), a definição veio em palavras: conhecer a ocorrência de \(A\) não altera a expectativa sobre a ocorrência de \(B\). Em notação:
\[A \text{ e } B \text{ independentes} \iff P(A \mid B) = P(A) \iff P(A \cap B) = P(A)\,P(B).\]
A segunda forma vem da regra do produto: se \(P(A \mid B) = P(A)\), então \(P(A \cap B) = P(B)\,P(A \mid B) = P(B)\,P(A)\). É ela que usamos para multiplicar probabilidades de eventos independentes, como clientes diferentes de um posto ou peças diferentes de uma linha de produção.
Disjuntos (ou mutuamente exclusivos) quer dizer \(A \cap B = \varnothing\), isto é, \(P(A \cap B) = 0\). Se dois eventos com probabilidade positiva são disjuntos, eles não são independentes: saber que \(A\) aconteceu garante que \(B\) não aconteceu, então a informação mudou tudo.
| Independentes | Disjuntos | |
|---|---|---|
| Pergunta | saber de B muda a chance de A? | A e B podem acontecer juntos? |
| Regra | \(P(A \cap B) = P(A)\,P(B)\) | \(P(A \cap B) = 0\) |
| Exemplo | dois clientes pagando com cartão | ser homem e ser mulher |
Exemplo resolvido
O posto de gasolina (Aula 2, Exercício 4): 80% dos clientes pagam com cartão de crédito, e os clientes se comportam de forma independente.
Eventos. \(A\): o 1º cliente usa cartão; \(B\): o 2º cliente usa cartão.
Probabilidades dadas. \(P(A) = P(B) = 0{,}8\), e \(A\) e \(B\) independentes.
O que se pede. (a) \(P(A \cap B)\); (b) \(P(A \cup B)\), a chance de pelo menos um usar cartão.
Resolução.
Pela independência, \(P(A \cap B) = P(A)\,P(B) = 0{,}8 \times 0{,}8 = 0{,}64\).
“Pelo menos um” é o complementar de “nenhum”. Nenhum usa cartão é \(A^c \cap B^c\), e os complementares de eventos independentes também são independentes: \(P(A^c \cap B^c) = 0{,}2 \times 0{,}2 = 0{,}04\). Logo \(P(A \cup B) = 1 - 0{,}04 = 0{,}96\).
Pela regra da união dá o mesmo: \(0{,}8 + 0{,}8 - 0{,}64 = 0{,}96\).
No código
Nos dados, a independência nunca aparece exata, porque cada amostra tem suas flutuações. O que olhamos é se as linhas da tabela cruzada estão perto ou longe da linha All. No Titanic, sexo e sobrevivência estão muito longe da independência:
\(P(S \mid F) = 0{,}742\) e \(P(S \mid M) = 0{,}189\), contra \(P(S) = 0{,}384\). Saber o sexo muda muito a chance de sobreviver: os eventos são dependentes, e é por isso que o sexo funciona bem no classificador da Aula 4.
Na Empresa de TV, escolaridade e plano ficam bem mais perto da linha All:
As linhas (52,0%, 50,0% e 62,2% no plano A) oscilam em torno de 56,1%. A associação é bem mais fraca do que no Titanic; se a escolaridade ajuda a recomendar um plano, ajuda pouco.
Por fim, a verificação numérica de que disjuntos não são independentes:
Armadilhas comuns
- Multiplicar sem ter independência. \(P(A \cap B) = P(A)\,P(B)\) só vale se o enunciado disser (ou os dados indicarem) que os eventos são independentes. Em geral, use \(P(A)\,P(B \mid A)\).
- Dizer “são disjuntos, logo independentes”. É o contrário: disjuntos com probabilidades positivas são sempre dependentes.
- Exigir igualdade exata nos dados. Em uma amostra, 52,0% contra 56,1% pode ser só flutuação. Mais adiante no curso, os testes de hipóteses vão dizer quando uma diferença é grande demais para ser acaso.
- Esquecer os complementares. Se \(A\) e \(B\) são independentes, também são \(A^c\) e \(B^c\). É isso que permite calcular “pelo menos um” como \(1 - P(A^c)\,P(B^c)\).
Exercícios aqui na página
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Exercício 1
Dois servidores funcionam de forma independente. O primeiro falha num dia com probabilidade 0,1 e o segundo com probabilidade 0,2. Qual a probabilidade de pelo menos um falhar? Use o complementar: “pelo menos um falha” é o contrário de “nenhum falha”.
Por independência, \(P(A^c \cap B^c) = P(A^c)\,P(B^c)\).
p_nenhum = (1 - 0.1) * (1 - 0.2)
p_pelo_menos_um = 1 - p_nenhum
p_pelo_menos_umExercício 2
Nos dados: se sobreviver (\(S\)) e ser da 1ª classe fossem independentes, \(P(S \cap \text{1ª})\) seria igual a \(P(S) \cdot P(\text{1ª})\). Calcule a diferença entre os dois lados.
Uma diferença perto de zero indicaria independência.
S = titanic['Survived'] == 1
primeira = titanic['Pclass'] == 1
diferenca = (S & primeira).mean() - S.mean() * primeira.mean()
diferencaExercício 3
Com base na diferença do exercício anterior, sobreviver e ser da 1ª classe são 'independentes' ou 'dependentes'?
Independentes exigem \(P(S \cap \text{1ª}) = P(S)\,P(\text{1ª})\).
print(diferenca)
resposta = 'independentes' if abs(diferenca) < 0.01 else 'dependentes'
respostaPontes com o outro lado do mapa
- Tabela cruzada (crosstab): Linhas iguais à linha All da tabela cruzada indicam independência (exercício na parada 4)
Este tópico aparece nestas paradas da revisão guiada, em que cada ponte vira um exercício resolvido pelos dois caminhos:
- Parada 4: Independência se vê na tabela exercícios ao vivo · ver no mapa · no Colab
Pratique
As listas novas de revisão abrem no Google Colab (use Arquivo → Salvar uma cópia no Drive). As listas das aulas estão no Blackboard, na pasta de cada aula.
- Revisão B · Pontes: cada conteúdo por dois caminhos (com correção automática) nova (Parte 4)Abrir no ColabBaixar .ipynb
- Aula 02 · Exercícios de teoria da probabilidade APS2 (Exercícios 4, 5 e 6(c))Blackboard · notebooks da Aula 02